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Que lições os italianos nos ensinam de enfrentamento ao vírus
27/03/2020

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Especial Coronavírus

No dia 22 de março, promovemos através do face-book uma conexão Brasil – Itália. Do outro lado do hemisfério, por cerca de uma hora, conversaram conosco o italiano Alessandro Giannuzzi, Obstétrico, profissional da saúde, que trabalha no Hospital São Mateus na Pávia, onde o primeiro contaminado pelo coronavírus daquele país recebeu atendimento, no dia 23 de fevereiro e o marauense Jonatas Luis Monteiro, que há anos vive na Europa, cantor lírico e mestrando de canto do renascimento barroco no Conservatório de Verona, no Vêneto.
Eles residem na província de Milão, na região da Lombardia, que concentra quase 10 milhões de habitantes, uma das principais áreas rossas (zonas vermelhas) do país. Ambos relataram sua rotina, como está sendo o enfrentamento à pandemia, a quarentena e o isolamento social, além do trabalho na linha de frente junto aos pacientes, alguns infectados e outros não.
A história deles e de milhões de outros italianos representa para nós a oportunidade de passar pela mesma situação com a melhor defesa possível, a informação.
“Aqui fizemos muitas coisas erradas por falta de informação”- disse Alessandro. “Espero que a informação possa salvar muitas vidas no Brasil”, completou Jonatas. O fato é que a Itália aparentemente foi pega de surpresa, enquanto as autoridades brasileiras vêm se preparando nas últimas semanas para enfrentar o problema e junto com o mundo todo procurar entender melhor o vírus.
Quando questionamos sobre as razões de a Itália ter sido o maior epicentro da pandemia na Europa, eles acreditam que além da densidade demográfica no país ser algo significativo, outras coisas também contribuíram para essa situação.
Inicialmente quando surgiram os primeiros casos, o governo italiano pensou que poderia fechar somente as cidades de Bergamo e Codogno, que restringiriam o vírus somente ali. Porém ele se espalhou por todo país. Um dos motivos foi que as pessoas, ainda sem sintomas, 'fugiam' para outras regiões, levando com elas essa doença que rapidamente se espalhou.
Outra razão foi que logo que impuseram a quarentena, as pessoas começaram a encarar a situação como uma restrição ao direito da liberdade e não aceitavam tais medidas. Acreditavam que iriam ficar bem, mesmo não permanecendo em casa. “Os jovens diziam que apenas os idosos iriam morrer”- lembra Alessandro, sobre a forma cruel como as pessoas interpretavam o coronavírus no início. Porém a realidade foi diferente, enquanto a doença se espalhava, deixava jovens em estado grave na UTI e alguns deles foram a óbito mesmo sem problemas anteriores de saúde, assim como adultos e muitos idosos, país afora.
Pouco a pouco os cuidados foram se tornando maiores e as regras mais duras. Somente em meados de março é que a população compreendeu definitivamente que pessoas saudáveis e assintomáticas também precisavam permanecer em casa, evitar frequentar os hospitais e fechar os espaços de convivência e comércio, a Itália entrou definitivamente em quarentena.
As famílias e amigos não se encontram mais. O desafio é continuar a viver, seguindo a rotina e as obrigações de quem trabalha com serviços essenciais e convivem diariamente com o novo coronavírus.
Os pacientes que não vão a óbito começam a se curar. O primeiro caso, aquele homem de 38 anos que aparentemente estava com a saúde em dia, depois de um tratamento na UTI em terapia intensiva voltou para casa.
Alessandro e Jonatas acreditam que a informação permitirá ao Brasil antecipar muitas ações. Eles pedem aos brasileiros que confiem em fontes originais, como profissionais e autoridades da saúde. Não disseminem informações erradas como Fake News, pois causa muita histeria na população e não ajuda na luta e combate ao vírus. “Torcemos muito pelo Brasil e pedimos a todos que respeitem as regras, evitando contato com as pessoas, lavando as mãos, pois se vocês tiverem essa consciência no começo da pandemia e levarem a sério esse assunto não passarão pelo caos que estamos passando aqui”.
Ainda são desconhecidas as heranças que essa doença deixará na população mundial, em relação a saúde e a economia, profundas marcas de tristeza, mas certamente também de esperança.