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Dra. Hellen Portelinha - Humanização e empatia na ginecologia e obstetrícia
26/06/2020

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Especial Saúde

Filha, esposa, mãe e médica. São essas as principais funções desenvolvidas pela Dra. Hellen Portelinha, que aos seis anos de idade já reconhecia o desejo pela medicina como missão de vida. Uma história que alia a humanidade com a nobre atividade de cuidar da saúde de milhares de mulheres e através de suas mãos, trazer novas vidas ao mundo.?
Nessa reportagem, a profissional compartilhou momentos marcantes, tanto de sua vida pessoal, quanto profissional, como seus mais de onze anos atuando na ginecologia e obstetrícia. Ela nasceu em Lagoa Vermelha e com apenas um ano de idade se mudou com a sua família para Passo Fundo, onde construiu uma sólida carreira profissional.

A linha tênue entre a perda familiar e a realização de um sonho

Já tendo escolhido desde muito cedo a medicina, quando estava no último ano do ensino médio, conciliou os estudos tradicionais ao cursinho preparatório para o vestibular. Seu objetivo sempre foi cursar a faculdade numa instituição federal. Com 19 anos ela passou no vestibular e iniciou a realização de um sonho: a faculdade de medicina. Por seis anos se dedicou aos estudos na Fundação da Universidade Federal de Rio Grande. Porém, antes mesmo de iniciar a faculdade, poucas semanas antes do vestibular, Hellen teve a perda de seu pai, que lutava contra um câncer, aos 43 anos de idade. “Dia 12 de dezembro meu pai faleceu e dia 03 de janeiro eu prestava prova para o vestibular. Foi uma linha tênue para mim, entre a realização de um sonho, que era iniciar medicina e o pesar de nossa família. No início foi muito difícil, porque além de ter perdido meu pai também estava, de certa forma, perdendo outras referências, em meio a necessidade de me mudar para Rio Grande, em uma nova cidade, com novos amigos, tudo novo. No entanto, era um momento muito sonhado”, contou.?
Mas foi neste período, que Hellen pôde se descobrir uma mulher mais forte do que imaginava. “Na faculdade vivi os melhores anos da minha vida, pois gostava de tudo o que estava fazendo”, recordou.?

A ginecologia e obstetrícia

Em 2005, Hellen concluiu a faculdade de medicina e optou por voltar à Passo Fundo, prestar residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP). Por três anos a profissional teve uma experiência aprofundada na área. “Optei pela ginecologia e obstetrícia porque ela enquadra um pouco de cada área da medicina”, frisou.
Ela atua na área cirúrgica, como obstetra, e no atendimento em consultório, através do acompanhamento clínico das pacientes e no pré-natal das gestantes, onde tem a responsabilidade de cuidar de duas vidas; a da mãe e do bebê. “Precisamos fazer de tudo para que até o final do pré-natal ambas as vidas estejam muito bem. E sou grata, pois este objetivo tem dado certo desde então”, explicou.?

A empatia pelo trabalho e suas pacientes

Com o retorno para Passo Fundo, a profissional teve a oportunidade de trabalhar por cinco anos no serviço público, atendendo ao Sistema Único de Saúde - SUS, através das prefeituras da região. “Me formei médica em uma faculdade que me preparou para atender no serviço público. Penso que foram cinco anos bem vividos nesta função. Porém chegou determinado momento em que escolhi pelo consultório particular, o que me oportunizou atender de uma maneira diferenciada minhas pacientes, e mais tarde também poder acompanhar melhor o crescimento da minha filha Isabel”.?
No ano de 2006, Hellen conheceu Rubens, seu marido que há 15 anos divide com ela momentos especiais.? Ela conta que após três anos de união, eles foram agraciados com o dom da maternidade e paternidade. “Engravidei no final da minha especialização. Então interrompi, pelo período da licença, os estudos para ser mãe”. A profissional explica ainda que ser mãe lhe proporcionou estar do outro lado: “Como paciente, vivendo minha gestação, pude desenvolver algo indispensável na medicina, a empatia. Como mães de primeira viagem, muitas vezes temos angústias, dúvidas, então foi muito importante entender como as mães se sentem, e poder ajudar como médica, de uma forma mais efetiva.? Isso faz toda diferença”.?
Hoje, Dra. Hellen realiza o acompanhamento de gestantes, em diferentes estágios da gravidez, além é claro, das pacientes que realizam o acompanhamento clínico de rotina. “Entendo, como profissional da área ginecológica e obstétrica, que precisamos trabalhar com limites. Meu limite é 60 pacientes gestantes, pois prezo sempre pela qualidade no atendimento individual. Todas precisam da devida atenção e cuidado”.?

Parto humanizado: a palavra que fez renascer a obstetrícia

Para a Dra. Hellen, ser um instrumento que traz a vida, proporciona uma sensação de realização e gratidão. Segundo ela, esse é o momento mais prazeroso da profissão. “Trazer a vida é um dom muito bonito”.
A profissional acredita que o parto humanizado veio renascer a obstetrícia. “Quando a gestante inicia o acompanhamento comigo, ela é orientada sobre a melhor forma de uma criança vir ao mundo, através do parto natural. No entanto, quando a mãe opta por não passar por todo este ritual, a sua escolha é soberana”, colocou.?
Atualmente, aos 39 anos de idade, e mais de uma década atuando na Ginecologia e Obstetrícia, Dra. Hellen afirma ser muito feliz pessoal e profissionalmente. “O sentimento é de realização plena e gratidão. Não há nada em minha jornada que eu mudaria”.


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