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A beleza por trás do câncer
01/10/2020

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Especial Beleza

O que aterroriza a maioria das mulheres que descobrem um câncer de mama, além do medo da morte é claro, é a influência que esse fato tem em sua autoestima. A possibilidade de perder uma ou as duas mamas, que chega a 70% de incidência, além da queda dos cabelos e outros pelos figuram no topo das listas, isso porque num primeiro momento elas acreditam que se sentirão inferiores ou menos femininas.
Por isso, compreendemos que é imprescindível falar sobre o sentimento da aceitação e autoestima que invade a vida das mulheres durante o tratamento do câncer e aproveitamos o outubro rosa para desafiarmos essa reflexão, ao contarmos a história de seis pacientes oncológicas: Alessandra, Ana, Daniela, Edivani, Ines e Soriana, e a forma como cada uma, de sua maneira declarou contra seu maior inimigo o superpoder da autoestima.? Conheça um pouco de cada história dessas lindas mulheres.

Alessandra Monteiro

Campo & Cidade - Como foi sua reação quando descobriu o câncer de mama?
Alessandra Monteiro: Minha primeira reação foi de introspecção, como se tivesse entrado numa espécie de casulo, que durou cerca de três semanas. Nesse período refleti muito sobre o que havia feito na vida e o que estaria prestes a acontecer a partir daquele momento. Também rezei muito, pedindo que acontecesse o melhor, fizesse as escolhas certas e que Deus colocasse em meu caminho os melhores profissionais.

Como foi seu tratamento?
Alessandra: Inicialmente passei por uma cirurgia, a mastectomia total das duas mamas. Depois de 30 dias teve início o protocolo do tratamento, com 16 sessões de quimioterapia, sendo as 12 primeiras uma vez por semana (quimio branca) e as últimas quatro sessões (quimio vermelha) com 21 dias de intervalo. Do início ao fim do tratamento foram seis meses, de novembro de 2016 a maio de 2017.

Onde você encontrou mais apoio?
Alessandra: Principalmente em meus pais que não deixaram de me acompanhar a uma sessão de quimioterapia.

Descreva como você se sentia:
Alessandra: Era um turbilhão de sentimentos, emoções, pensamentos no que iria acontecer e se o tratamento estaria dando certo ou não. As reações que as quimioterapias traziam não me permitiam levar uma vida normal, por mais que quisesse. Foi preciso aprender me permitir ser cuidada, algo bem complicado para quem tem uma vida ativa e independente. Aí me sentia inútil pois não conseguia trabalhar, muitas vezes nem sair da cama por causa da fraqueza. Foi preciso aceitar e acolher essas pessoas que estavam disponíveis para me cuidar e ao mesmo tempo compreender os processos que estavam acontecendo.

De que forma a doença interferiu na sua autoestima?
Alessandra: Quando o oncologista me disse que eu perderia o cabelo e os pelos do corpo já me imaginei usando peruca, só que não combinou comigo. Comecei a me preparar para assumir a careca. Adquiri muitos lenços e chapéus. Quando o cabelo começou a cair foi como um carimbo de ser paciente oncológica. Para mim, raspar o cabelo foi uma libertação, como um renascimento e aquele momento foi fantástico, como se uma lagarta (eu) estivesse saindo daquele casulo e disposta a escrever uma nova história. Como paciente oncológica vi a importância em estar com a autoestima elevada, me sentir bonita e estar otimista e esperançosa.

Que mensagem você deixa para as mulheres?
Alessandra: O amor próprio é fundamental, porque só vamos cuidar de nós mesmas quando nos amar. Herdamos isso de nossas ancestrais, a mulher cuida de todo mundo e vai ficando para trás. Mas no processo do câncer a gente aprende que precisamos nos colocar em primeiro lugar, e isso não significa egoísmo. Se estivermos bem conosco aí seremos capazes de ajudar outras pessoas. Espero que a mulher se ame mais, conheça seu corpo e fique atenta aos sinais.
Para as mulheres que já passaram pelo câncer eu digo: estamos juntas! Seremos eternas pacientes oncológicas, formando uma linda rede de apoio. Nossa empatia é ainda mais forte porque conseguimos verdadeiramente nos colocar umas no lugar das outras. Fiz muitas amizades por conta disso, verdadeiras e que levarei para sempre no meu coração.

Qual o sentido do outubro rosa para você?
Alessandra: Nós mulheres precisamos pensar dessa forma de outubro a outubro, compartilhando informações, conhecimentos, para os cuidados e a prevenção. Nosso objetivo é que nenhuma mulher passe pelo câncer de mama.

Qual o maior aprendizado dessa vivência?
Alessandra: Tentar o máximo viver uma vida com mais leveza. Quando criei o projeto Vivendo com Leveza foi para lembrar a todos que amo a praticarem isso diariamente, deixando de lado aquilo que não agrega nem acrescenta. Não ser 8 ou 80, pois entre esses números existem outras 72 possibilidades. Quando uma doença como essa bate na sua porta e te ensina que a vida é finita, a gente passa a dar valor para coisas que antes eram desapercebidas. Caminhar na rua, tomar chimarrão, conversar com uma amiga se tornam momentos ainda mais maravilhosos. O Câncer foi um grande aprendizado, a partir de então estou vivendo um dia de cada vez.

Ana Roselva Piccoli

Campo & Cidade - Como foi sua reação quando descobriu o câncer de mama?
Ana Roselva Piccoli: Fiquei bastante triste e me perguntando o que aconteceu comigo ou será que não me cuidei? Mas comecei a fazer meus exames e procurar profissionais e aí tudo foi acontecendo rapidamente, bem mais rápido do que esperava.?

Como foi seu tratamento?
Ana: Passei pela cirurgia de mastectomia da mama direita. Entre abril de 2019 e setembro de 2020 fiz 16 sessões de quimioterapia, sendo o protocolo 3 brancas, 4 vermelhas e 9 brancas. Após a quimio descasei 15 dias e após fiz 25 sessões de radioterapia. Nesse meio tempo também iniciei as sessões de imunoterapia que duraram 18 meses e que encerrei em setembro desse ano. Farei ainda pelo período de cinco anos quimioterapia via oral.

Onde você encontrou mais apoio?
Ana: Foi na família sem dúvidas. É nela que a gente encontra o melhor colo do mundo. Minhas sobrinhas Natalia e Luisa foram companheiras e de extrema importância, além de meu pai e meus irmãos. Os colegas e amigos da prefeitura também me deram muita força e boas energias.

Descreva como você se sentia:
Ana: A cada sessão de quimioterapia ficava com muita ansiedade e expectativa, me sentindo impotente e inútil. Mesmo sem efeitos colaterais severos ficava sem força para fazer nada, pois o tratamento é muito forte. Por isso, quando terminou foi uma sensação de alivio total. Com essa experiência comecei a repensar a vida e cada vez mais perto pensava comigo mesma agora vai dar tudo certo e vou sobreviver de verdade.

De que forma a doença interferiu na sua autoestima?
Ana: A questão da autoestima foi para mim a pior parte do tratamento. Sempre fui muito vaidosa e atenta com a beleza e nesse momento de extrema fragilidade é difícil quando perde todo o cabelo. Me sentia muito feia, com a pele ressecada e ainda passei por um episódio de preconceito durante esse período que me deixou mais triste ainda.

Que mensagem você deixa para as mulheres?
Ana: Que as mulheres se cuidem, façam o autoexame, fiquem atentas porque essas coisas acontecem como num piscar de olhos. Pensamos que seja impossível acontecer com a gente, mas acontece, pois aconteceu comigo.?
As mulheres que já venceram o câncer de mama fico feliz porque a gente sobreviveu e está aqui para desfrutar de toda a vida que ainda temos.

Qual o sentido do outubro rosa para você?
Ana: O outubro rosa é muito mais que uma campanha, que deveria estar presente em nosso dia a dia todos os meses. Ele é importante porque se intensificam todos os cuidados e prevenções e lembra as mulheres de estarem atentas ao seu corpo e as mudanças.

Qual o maior aprendizado dessa vivência?
Ana: Ainda estou passando por um processo de transformação e conhecimento próprio, pois é bem recente tudo que passei. Ainda assim, aprendi que preciso cuidar e olhar mais para mim e estar consciente que eu existo. O câncer me fez lembrar de mim e me ensinou que tive uma nova chance.

Daniela Waskievicz

Campo & Cidade - Como foi sua reação quando descobriu o câncer de mama?
Daniela Waskievicz: Quando recebi o resultado do exame de biópsia decidi olhar antes mesmo da consulta com o médico. Acessei o sistema e lá estava: carcinoma invasivo. Na hora fiquei imóvel em frente a tela do computador e nem sei bem quanto tempo se passou até chamar meu marido e compartilhar com ele o resultado. Lembro que meu chão se abriu e senti um medo que até então desconhecia. Naquele dia eu chorei muito!

Como foi seu tratamento?
Daniela: No início de 2019 comecei os exames para ver a extensão do câncer. Em abril me submeti a mastectomia total com reconstrução imediata. A cirurgia foi a parte mais dolorida emocionalmente, mas ao mesmo tempo uma sensação de retirar o câncer do corpo, que também causou um alívio enorme. Foram 12 sessões de quimioterapia branca e 4 vermelhas. Não tive nenhuma intercorrência, como internação ou reposição de sangue, por exemplo. Também não apresentei enjoos, apenas dor no corpo, alergias leves, muito cansaço e indisposição. Na metade desse processo precisei colocar um cateter. Após vieram as radioterapias, que também foi tranquilo, tirando a sensação de queimaduras. Fiz 25 sessões de que conclui no dia 20 de dezembro. Hoje faço bloqueio hormonal que consiste no uso de um comprimido.

Onde você encontrou mais apoio?
Daniela: Durante esse período recebi muito carinho da família e amigos. Meu marido foi quem mais segurou as pontas durante todo o processo. Nós trabalhamos juntos e ele ficou sobrecarregado, mas mesmo assim tinha tempo para ficar comigo e apoiar, me levar para cá e para lá. Minha mãe também foi muito especial. Meu irmão reside em Caxias, mas também estava sempre presente e minha irmã, enfermeira oncologista foi um anjo da guarda, antecipando meus passos e assim consegui evitar diversos problemas.

Descreva como você se sentia:
Daniela: Me senti tensa e triste durante um período, que foi bem conturbado, procurava não focar só na doença, mas o tratamento muito longo e os cuidados tomam muita energia e tempo da gente. Decidi que não iria deixar essa fase passar em branco sem aproveitar, então me dedicava a cuidar da casa, do trabalho, que me ajudou muito no processo, além disso o encontro com as amigas e os exercícios. Agora as coisas estão voltando ao normal e não estou mais triste.

De que forma a doença interferiu na sua autoestima?
Daniela: O câncer bagunçou a minha vida, mas não abalou a minha autoestima. Desde o início do processo sabia que algumas transformações iriam acontecer: poderia engordar ou emagrecer demais, a sobrancelhas, cílios e cabelo iriam cair e haveriam?cicatrizes. Mas isso não me incomodou, porque os pelos voltariam e as cicatrizes contariam essa parte da minha história.

Que mensagem você deixa para as mulheres?
Daniela: Espero que todas as mulheres façam autoexame das mamas sempre pois foi assim que descobri que estava com câncer. Quanto antes diagnosticar melhor, para evitar um tratamento invasivo além das chances de cura serem maiores. Conheçam seu corpo e qualquer sinal de algo estranho procurem ajuda.
As mulheres que assim como eu passaram pelo câncer de mama temos a certeza que uma experiência como essa nos faz dividir e compartilhas as mesmas angústias e os mesmos medos. Isso nos torna mais solidárias uma com as outras, a ponto que passamos a conversar com pessoas que nem conhecíamos e acabamos torcendo por elas e querendo seu bem. Quem está enfrentando o câncer de mama saiba que não está sozinha.

Qual o sentido do outubro rosa para você?
Daniela: O outubro rosa deixou de ser apenas uma campanha que lembra do auto exame. É um momento para compartilhar experiência e informação, e refletir sobre a saúde de forma geral. Nos questionarmos porque tantas mulheres estão tendo câncer de mama? O que mudou? Será que é o que estamos comendo, sedentarismo ou estilo de vida? O outubro rosa nos dá essa possibilidade, de discutirmos várias coisas em benefício da nossa vida e saúde.

Qual o maior aprendizado dessa vivência?
Daniela: Algumas coisas realmente mudam depois do câncer. No meu caso é bem recente e ainda estou em processo de mudança. Me adaptando e não sei dizer se para melhor ou pior, ainda não fiz esse balanço. Por enquanto classifico apenas como mudanças. Algumas análises que fiz sobre o quanto gostava de tomar cerveja e fumar, passar a noite escutando música. Agora não bebo nem fumo mais e percebo que é tão bom acordar sem ressaca e trocar velhos hábitos por novos, como uma caminhada de manhã cedo.

Edivani Schenkel?

Campo & Cidade -? Como foi sua reação quando descobriu o câncer de mama?
Edivani Schenkel: No momento foi um choque bem grande e uma confusão de sentimentos que se fizeram presentes. Vieram as lágrimas, a tristezas, o medo, as incertezas e o sofrimento de pensar na família ao receber a notícia. Além dos porquês de isso acontecer comigo?

Como foi seu tratamento?
Edivani: Minha vida virou do avesso. A rotina foi invadida por exames, consultas médicas, medicações, cirurgia, mas tudo ocorreu maravilhosamente bem, sempre respondendo com resultados positivos. Tenho somente gratidão por ter ocorrido tudo bem até aqui. Estou em tratamento desde dezembro de 2018 mas acredito que logo a conquista será plena e vou alcançar minha vitória para que eu possa dizer eu tive câncer mas o câncer nunca me teve. Passei pela quimioterapia, cirurgia e agora radioterapia. Tenho muita fé que em breve serei mais uma vitoriosa.

Onde você encontrou mais apoio?
Edivani: Primeiramente na família, em seguida nos amigos e amigas, mas acima de tudo em Deus, sempre me dando coragem, força e ânimo o tempo todo, para me manter firme e nunca desanimar. Assim consegui tirar de letra e passar pelo câncer, bem diferente do momento da descoberta. Eu também me apoiei com autoestima e alto astral e assim tudo se tornou mais fácil.

Descreva como você se sentia:
Edivani: A tristeza veio me visitar diversas vezes, mas meus pensamentos positivos foram mais fortes do que o choro. Meu otimismo de encarar tudo sempre me deixava para cima e lá estava eu vivendo feliz apesar da doença.

De que forma a doença interferiu na sua autoestima?
Edivani: Sempre fui vaidosa e com o câncer me tornei mais ainda. A dor da perda do cabelo onde mais sofri, pois amava ele. Tive a sorte de utilizá-lo para confeccionar minha própria peruca que me ajudou a passar pelo processo de ser careca. Também houve a perda de sobrancelhas e cílios, que encarei com sorriso no rosto e de bem com a vida. Minha força de vontade em ser feliz sempre foi maior. Também fiz minha sobrancelha definitiva, apenas fiquei sem cílios, que aí não houve o que fazer.

Que mensagem você deixa para as mulheres?
Edivani: Não espere a doença chegar para valorizar sua vida. As mulheres têm que se prevenir, se conhecer, se amar, se cuidar e se tocar. Não precisa aparecer um nódulo para então ir atrás do que deve ser feito.
Superar o câncer é questão de determinação. É lutar, assumir a autoimagem, vencer preconceitos, é sobre controlar pensamento, valores, aceitação e mudanças.

Qual o sentido do outubro rosa para você?
Edivani: Além do autocuidado e diagnóstico precoce o outubro rosa nos faz olhar também para quem está doente. Ele significa que vencer não é só eliminar uma doença, mas vencer cada passo dela. É fazer com que muitas pessoas tenham um olhar especial para quem está passando pelo processo.

Qual o maior aprendizado dessa vivência?
Edivani: Aprendi que o câncer não é o fim da vida. Ele tem cura. A gente tem que viver intensamente hoje independentemente do que aconteça. Não há tempo para perder, nem sentimentos a serem desperdiçados, pois a vida é um piscar de olhos. Não perca tempo com bobagens mas ganhe tempo promovendo o amor. Viver intensamente hoje para mim é prioridade. Há muita vida após o câncer, mas durante o tratamento também.

Ines Meneguzzi

Campo & Cidade -? Como foi sua reação quando descobriu o câncer de mama?
Ines Meneguzzi: Percebi um nódulo bastante volumoso durante um exame de rotina, mas não imagina que fosse um câncer. No exame o médico achou algo suspeito e fez a biópsia e muito rápido, em sete dias recebi o resultado positivo. Chorei bastante ainda no consultório, desabafei com amigas e colegas e me preocupei muito em ter que contar para a minha mãe e minha irmã que moram comigo.

Como foi seu tratamento?
Ines: Passei um mês em Caxias fazendo tratamento e fiz consultas em Porto Alegre. Foram oito meses fazendo quimioterapia. Fiz a cirurgia de retirada e dois meses de radioterapia. Ao todo foi quase um ano de tratamento, que encerrou a primeira fase. Em seguida dei início as quimios oral que segue mesmo após 4 anos. Fui muito cuidada por todos, inclusive pelos profissionais. Tudo isso resultou num desfecho positivo. Faço os exames de rotina e estou muito bem. Atribuo minha vitória também a esse cuidado e carinho que recebi.

Onde você encontrou mais apoio?
Ines: Recebi apoio de todo mundo. A pessoa que mais segurou as pontas foi a minha irmã Ivone. Uma amiga que esteve sempre ao meu lado foi a Rita. Muita gente rezou por mim, meus familiares e amigos foram ótimos para manter meu pensamento sempre positivo.

Descreva como você se sentia:
Ines: Sentia muitas dores musculares, em função da quimio e radioterapia, mas sempre pensando que era apenas uma fase. No começo tem a negação, mas depois acaba encarando a realidade e faz o que precisar ser feito. A espiritualidade me fortaleceu muito. Sempre fui uma pessoa de crença e muita fé, mas em função da correria do dia-dia havia me distanciado um pouco. Retomei essa questão e isso foi uma fortaleza muito grande para meu tratamento. É fundamental para que a gente tenha uma vida saudável e equilibrada e que a gente possa se sentir feliz, independente do que precisamos enfrentar e essa ajuda encontrei na espiritualidade, inclusive para fortalecer minha autoestima.

De que forma a doença interferiu na sua autoestima?
Ines: É necessário admitir que a?gente não fica muito bem quando se percebe sem cabelos, cílios, sobrancelhas... Mas passei bastante tempo em casa nesse período, até porque era inverno. Quando necessário saía e encarava bem todas as situações que precisei enfrentar, sempre com muita serenidade e tranquilidade.?

Que mensagem você deixa para as mulheres?
Ines: Encare o câncer sempre como uma fase passageira. Desde o início eu tive a certeza que iria ficar bem e isso me motivou. Passe com maior leveza possível esse momento. O que é nosso teremos que passar, não adianta achar que é injusto. Se tivermos muita resistência ao enfrentarmos nossos problemas mais difíceis esses terão de passar. Temos que buscar soluções. Contar com os amigos, com os profissionais e com a espiritualidade.

Qual o sentido do outubro rosa para você?
Ines: Traz o sentido de esperança e de que alguém está do nosso lado, com esse olhar voltado a esse período de grande sofrimento. Essa chamada, o alerta e o cuidado cm as mulheres que o outubro rosa nos passa é uma sensação bem reconfortante e também um acolhimento. Por isso é importante que seja divulgado e abraçado. É importante sentir que profissionais e pessoas amigas estão prontas para nos ajudar nessa jornada que não é tão fácil assim.

Qual o maior aprendizado dessa vivência?
Ines: Ninguém passa por uma fase como essa sem algum grande aprendizado. O meu foi aprender o equilíbrio na vida, nos momentos, nas emoções, repensar no que importa e saber separar as coisas. Aquilo que é meu daquilo que é dos outros, como mau humor, falta de respeito entre outras coisas que não preciso carregar comigo. Talvez se não tivesse passado por isso ainda estaria sofrendo como sofria antes com a influência e a pressão das outras pessoas a minha volta. Ser maduro é também mudar de opinião se for para melhor. A vida segue, então vamos procurar viver da melhor forma possível, pois ela é muito breve. Aproveite-a!

Soriana Timbola Perin

Campo & Cidade -? Como foi sua reação quando descobriu o câncer de mama?
Soriana Timbola Perin: Foi um misto de susto e revolta, cercado de muito choro e incertezas. Quando iniciei o tratamento passei a me sentir mais segura pensar no meu filho com apenas um ano e meio. Foi por ele que sempre mentalizei minha cura e que tudo teria que dar certo.

Como foi seu tratamento?
Soriana: Imaginava que seria um bicho de 7 cabeças, mas para mim foi bem tranquilo. Em momento algum deixei de trabalhar, apenas me afastava a cada 21 dias. Vejo que isso me trouxe muitos benefícios e pude seguir a vida quase que normalmente. Meu tratamento durou um ano e meio.

Descreva como você se sentia:
Soriana: Quando as pessoas me perguntavam como eu estava eu respondia com fé, foco e determinação. Sem mentiras, assim que eu me sentia na maior parte do tempo.

De que forma a doença interferiu na sua autoestima?
Soriana: A pior parte foi a perda do cabelo, então fiz uma peruca e não me senti constrangida nem nada.?

Que mensagem você deixa para as mulheres?
Soriana: Não é necessário se assustar com o diagnóstico do câncer. Apenas temos que ter força, poder de decisão e afirmar que vai dar certo. Eu mereço a vitória e vou seguir meu barco. Somos fortes o suficiente para passarmos essas etapas e no final dizer obrigada Deus, eu venci!

Qual o sentido do outubro rosa para você?
Soriana: Esse é um mês de gratidão e me dedico a apoiar as pessoas a fazer o autoexame, acompanhamento médico e se cuidar.

Qual o maior aprendizado dessa vivência?
Soriana: Não importa quem você é ou o dinheiro que você tem, quando se depara dentro do hospital na ala da quimioterapia e vê todos os tipos de pessoas, então percebe que é apenas mais um. Não adianta pensar que é um ser superior aos outros, procure viver feliz, com sorriso no rosto. Agradeço a Deus e a família, pelos momentos ruins que passamos juntos e pelos felizes que vivemos hoje.

Pode parecer superficial, a preocupação com a beleza quando se trata de uma doença como o câncer. Porém os próprios médicos e psicólogos entendem que é uma necessidade trabalhar a autoestima das pacientes. Não é raro que elas descubram que podem se amar mais, podem se cuidar mais, seja no aspecto da estética, seja nos cuidados com alimentação, exercícios físicos, escolha de roupas e por aí vai. Geralmente descobrem isso depois do diagnóstico. Sem dúvidas é uma grande oportunidade para descobertas: e a principal é que você é muito mais do que uma classificação. Ter ou não ter cabelo, com prótese mamária, cílios postiços ou simplesmente não usar esses acessórios e mesmo assim se sentir bem. Se sentir feliz e merecedora da vida. Para quem conhece uma mulher diagnosticada com câncer de mama é fundamental você ajudar e motivá-la a fortalecer seus recursos internos, autoaceitação e confiança. Pequenas atitudes no dia a dia fazem toda diferença!


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