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Norberto Rodrigues
22/02/2018

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Segurança

Delegado desde 2014 na DP de Marau, Norberto conta nesta reportagem um pouco de sua vida e aproveitou para sugerir um pouco mais de tolerância à sociedade.

Ao assistir o noticiário ou conferir os portais de notícia são apavorantes os casos de violência que ocorrem todos os dias no país. Hoje, além das áreas de saúde e educação, a segurança pública é uma das principais demandas da população. E é nessa hora que o trabalho dos órgãos de segurança torna-se ainda mais importante, onde, mesmo com a desvalorização da classe devido a inúmeros fatores, cumpre-se a lei e busca-se garantir os direitos do povo.

Muito se fala que para trabalhar nesta área é necessário, em primeiro lugar, vestir e ter amor à camisa. E é isso que ocorre em Marau. Desde 2014, a delegacia de Polícia Civil é comandada pelo delegado Norberto Rodrigues. Muitas pessoas não sabem que, por trás de tanto reconhecimento pelo trabalho realizado, há uma história de quase vinte anos ligados à área de segurança pública e uma equipe comprometida em construir uma cidade cada vez melhor.

“Foi uma consequência natural eu exercer o que faço hoje”

Dos quase 40 anos de idade, vinte deles dedicados à segurança pública, Norberto lembra que esta área lhe chamou atenção quando passou em seu primeiro concurso, no fim dos anos noventa, e começou a trabalhar como agente de fiscalização de trânsito – ou azulzinho, como é popularmente conhecido. Neste tempo, ele começou a graduação em Direito, pela Universidade VER, e identificou-se com a área penal. “Trabalhei por muitos anos fazendo plantão, atendendo acidentes por embriaguez, passei muitas noites na Delegacia de Polícia levando o pessoal em flagrante [...]. Tive muito contato com a Brigada Militar, mas, devido a essas idas e vindas à DP, apresentando flagrantes e outras situações, foi uma consequência natural eu exercer o que faço hoje”, conta.

No fim de 2013, ao se formar na Academia de Polícia, Norberto pôde escolher a cidade onde iria atuar. “Escolhi Marau, não conhecia o município nem a região norte, mas conversei com amigos e parentes, li, pesquisei e optei por aqui”, diz. Em junho de 2014, a comunidade foi noticiada de que a Delegacia de Polícia Civil de Marau teria um novo titular e, de lá até então, a população passou a acompanhar ainda mais o intenso trabalho de toda a equipe da DP, coordenada por ele. “Os três pilares essenciais que as pessoas sempre cobram são saúde, segurança e educação, só que sem segurança você não consegue exercer os outros dois, agora com segurança sim. Eu estou feliz atuando na nossa região, espero ficar por muito tempo e acho que precisamos lutar para que o investimento nesta área seja maciço”, complementa.

Motivação para construir uma sociedade cada vez melhor

Quatro anos é tempo suficiente para muitas mudanças ocorrerem, objetivos serem cumpridos e desafios surgirem. Norberto acredita que Marau deu um saldo muito grande desde que chegou aqui, principalmente no que diz respeito à segurança pública. “Se fala muito em crise, mas o povo daqui é muito trabalhador, empreendedor. A cidade avança em passos largos, não se intimida com os problemas. Acredito que, ao falarmos de segurança pública, melhoramos bastante, mas a criminalidade está aí, eu sou só uma peça de uma engrenagem, temos uma equipe maravilhosa, da qual tenho muito orgulho. Nos acertamos de tal forma que todos têm uma mesma sintonia, os mesmos objetivos, que é construir uma sociedade cada vez melhor”, frisa.

A Delegacia de Polícia de Marau é formada por uma equipe de TANTAS pessoas que, muitas vezes, trabalha em “off”. A carga de um policial é, na teoria, 40 horas semanais, “entretanto temos policiais que cumprem praticamente 24h e não há remuneração extra por isso, nem folga. Às vezes o pessoal não sai para almoçar nem para jantar porque o trabalho é muito intenso, as pessoas desconhecem esse lado e o que elas presenciam nas ruas é o fechamento do nosso trabalho interno. No ditado popular poderíamos dizer que é amor à camisa”, complementa.

Além de Marau, que abrange as cidades de Nicolau Vergueiro e Gentil, o delegado responde pelo município de Vila Maria, que inclui Camargo. “Temos um diálogo muito bom e precisamos mantê-lo, para não deixarmos cair a qualidade do sérvio, mas dar mais qualidade”, frisa. Hoje, para que o efetivo pudesse alcançar todos os objetivos e cumprir com as obrigações dentro de um tempo curto, seriam necessários pelo menos mais seis policiais na cidade. “Acho que o efetivo da Polícia Civil nunca foi tão baixo em termos de Estado. Isso é preocupante, é uma sobrecarga que não nos deixa respirarmos, mas, mesmo assim, temos que buscar uma solução”, pontua.

Norberto acredita que um dos desafios da Polícia Civil é desmitificar a imagem de ser um órgão repressor. “Nós estamos aqui para garantir a ordem e a paz, que pessoas tenham liberdade de exercerem seus plenos direitos, como os mais simples, que é poder caminhar na rua tranquilamente”, frisa. Ele afirma, ainda, que o papel da polícia não só se restringe a prender e a investigar, “mas acho que precisamos estar junto com a comunidade e esclarecer o nosso papel”, pontua.

Diante de inúmeros episódios de violência ocorridos na cidade entre o fim de 2017 e o começo de 2018, o delegado acredita que tolerância vem a frente de tudo. “É a palavra da vez, respeito com as pessoas, mas acho que tolerância diz tudo. Temos desafetos, brigas, não gostamos de algumas pessoas porque nos tratam mal, mas não podemos responder na memsa moeda, porque vamos entrar num ciclo. Temos que ser mais receptivos, não nos levarmos pelo calor do momento, que as pessoas tenham mais calma e paciência, para que possamos viver em paz na cidade maravilhosa que é Marau”, finaliza.



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