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40 anos da ASSUIMAR
26/05/2018

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Valores da Terra

A Associação dos Suinocultores de Marau comemora seus 40 anos de história. No dia 26 de maio, realizou na comunidade de São Miguel a 40ª edição do?tradicional Encontro dos Suinocultores.

Esta entidade, ao longo de quarenta anos, foi certamente a grande responsável pelo desenvolvimento econômico, social e cultural da nossa cidade, principalmente durante seus primeiros anos de fundação, já que nas décadas de 70 e 80 a suinocultura era a principal atividade da agricultura familiar.

A forma como se cria suínos hoje é muito diferente daquele de 30 ou 40 anos atrás, muitas inovações e tecnologias, além da necessidade de uma produção em grande escala e por fim industrializada, fizeram com que o cenário da suinocultura fosse se alterando com o recorrer do tempo.

Porém, a história da suinocultura em Marau certamente é orgulho para nós, hoje somos considerados capital do salame, no passado exportamos a carne e a banha de porco para outros países através do Frigorífico Borella e acima de tudo essa atividade foi a base para o crescimento da agricultura e do agronegócio em nossa região.

A suinocultura estruturou o agronegócio

João Batista Coimbra nasceu em Pelotas, onde formou-se agrônomo em 1976. Um ano depois, após prestar concurso para a Emater e ser classificado, foi enviado para trabalhar no escritório em Marau, de onde nunca mais saiu – “esta é a cidade do meu coração”, afirma Coimbra.

No mesmo ano em que chegou aqui, ao lado do colega, também agrônomo, Celso Cardoso, trabalharam incansavelmente para o crescimento da Emater. João se recorda que mesmo com o Frigorífico Borella funcionando com muito sucesso em Marau, os produtores ainda tinham muito a aprender, por isso a entidade, através dele, juntamente com Darci Tosatti e Celso Cardoso foram buscar conhecimento na suinocultura de Santa Catarina, que na época era uma referência. Quando retornaram, idealizaram um encontro para repassar todas essas informações que haviam encontrado, além de terem trazido raças de suínos de mais qualidade, tecnologia e projetos inovadores. A suinocultura se fortaleceu tanto, que um ano depois foi realizado o 1º Encontro dos Suinocultores, em 1978.

Desde que João Coimbra chegou em Marau, ele sempre esteve envolvido com a história e o crescimento da agricultura e do agronegócio, claro que por trabalhar na Emater, mas também porque gostava de ajudar os produtores. Para ele a suinocultura mudou muito – “hoje ela é quase que totalmente industrializada, com a integração diminuiu o número de suinocultores, mas aumentou a produtividade, só que com isso perdemos nossas raízes, onde o produtor fazia da suinocultura sua atividade principal para sua fonte de renda. Eram oito frigoríficos aqui na região de Marau, que movimentavam a economia. Também existiam os atravessadores, que regulavam a comercialização e regulavam a oferta e procura”.

Coimbra explica que a criação de suínos foi o que estruturou os produtores de soja, milho e leite, pois as famílias vendiam os animais e investiam na compra de terras e na produção de outras culturas. “Isso foi muito importante, mas fica a saudade daquela época, em que ajudamos a construir e limpar os chiqueiros e melhorar a vida dos suinocultores, então são muitas lembranças que nos marcam nesta atividade que não podemos deixar morrer, por isso todo ano nos reunimos para confraternizar e manter viva a tradição e as histórias tristes e alegres daquela época”- finaliza.

?A ASSUIMAR nasceu no porão da minha casa

Volmar Antonio Sandri foi o primeiro presidente da Assuimar, e até hoje tem orgulho em ser criador de suínos. Ele recorda com satisfação que seus pais, João e Eugenia Sandri, sempre quiseram que os filhos trabalhassem unidos, como uma sociedade familiar, e assim todos eles cresceram juntos, tendo como atividade principal durante muito tempo a suinocultura.

Sandri lembra que a Emater sempre esteve presente na atividade da família, prestando assistência. Em 1978 ele emprestou sua propriedade para um encontro com suinocultores, promovido na época pela Emater, e naquele dia, com cerca de 90 pessoas ali reunidas, foi fundada a Associação dos Suinocultores de Marau – ASSUIMAR.

Somente em 88 a entidade foi constituída e registrado seu estatuto, na oportunidade, Sandri que foi presidente por dez anos, passou o cargo para Angelo Gasparin (em memória) – 2º presidente da Assuimar. “Mesmo antes de sermos uma associação oficial fazíamos um trabalho bonito, na equipe faziam parte José Lino Sebben, Severino Damarém, Primo Filippi, João Antonio, Itacir e Jovino Zanella, Nelson Antunes, e muitos outros”- recorda Volmar, que integrou a diretoria da entidade por 35 anos.

Na metade da década de 80, depois que Marau passou por um trabalho de micro bacias hidrográficas, projeto desenvolvido através da Emater pelo Sr. João Batista Coimbra, que inclusive foi referência para outros municípios do estado, do Brasil e também a nível internacional, o plantio direto passou a incentivar a produção agrícola. “As famílias foram mudando um pouco de setor, deixou-se de criar suínos e se investiu mais na produção de grãos, mas Marau deve muito àquela época e àqueles suinocultores, porque foram eles quem alavancaram o município, criando suínos para vender, gerando empregos no Frigorífico Borella, entre outros, e a Assuimar contribuiu para o crescimento do agronegócio em nossa cidade e região, sempre buscando aperfeiçoamento das técnicas para melhor produtividade tanto na lavoura quanto na suinocultura e focada em melhorar a rentabilidade de todos nós”- explicou Sandri.

?A força da ASSUIMAR ainda hoje faz a diferença?

Hélio José Rizzardo nasceu no interior de Marau, na comunidade de Nossa Senhora do Caravaggio, onde permaneceu com sua família até os 25 anos, depois saiu de casa para iniciar sua formação. Tornou-se Técnico em agricultura e trabalhou durante 30 anos na Emater, em Marau. “Quando deixei a casa dos meus pais em busca dos meus estudos eu saí da agricultura, porém ela nunca saiu de mim” – disse Hélio.

Quando ele iniciou seu trabalho junto a Emater praticamente todas as famílias no interior tinham criação de suínos. “Era um momento típico da época, e quem gostava da atividade tinha um retorno muito bom, tanto que muitas propriedades conquistaram muita coisa por causa desta atividade, eles vendiam lotes de suínos às empresas e os com os pagamentos compravam áreas de terra”- explicou.

Hélio diz que o início da agricultura de precisão fez com que as famílias fossem deixando de produzir suínos, e a atividade acabou se tornando mais integrada pela necessidade do mercado. “Eu pude acompanhar de perto o trabalho da ASSUIMAR e a entidade durante sua trajetória sempre procurou o bem comum dos sócios, com momentos importantes, em que através da entidade todos cresceram juntos, como a aquisição de insumos em conjunto e os encontros, que sempre foram realizados com o objetivo de promover atividades visando falar sobre o que há de melhor na agricultura como um todo, já que os associados hoje também são produtores de grãos, carnes, entre outros”. Segundo ele, com a força da Assuimar também foi possível desmitificar o preconceito que se tinha quanto a carne suína e a banha.

“Hoje eu ainda digo que essa associação é necessária, porque visa além da suinocultura, dá muito apoio e valorização as famílias que estão no meio rural, proporcionando viagens, excussões, informações e muito mais”- completou Hélio.

?A ASSUIMAR hoje

Naraci Pissolatto é o presidente da ASSUIMAR desde o ano de 2015. É filho de agricultores, porém nasceu na cidade, onde permaneceu até os 18 anos, depois foi para o interior trabalhar na lavoura, na propriedade da família, em Veado Pardo.

Segundo o atual presidente o tempo passou e fez mudanças profundas na história da suinocultura. “Acho que mudamos para melhor, esta atividade proporcionou o crescimento para quem vive no interior, que trabalha na agricultura. Através da venda do suíno, que era uma moeda muito valiosa nos anos 70 e 80, nossas famílias puderam se fortalecer na produtividade de grãos, hoje carro chefe da economia brasileira”.

Mesmo que poucos daqueles produtores de suínos, que fundaram a entidade há quarenta anos atrás, permaneçam na atividade, o Encontro dos Suinocultores é importante para que se conservem as lembranças daquela época. “Não podemos esquecer de quando tudo começou, era muito diferente a forma como trabalhávamos, pela questão da manutenção, limpeza, era tudo mais simples, hoje muitas normas e exigências precisam ser respeitadas, para que os suínos sejam vendidos às indústrias”- explicou Pissolatto.

No ano em que a ASSUIMAR comemora seu 40º aniversário a entidade promove o 40º Encontro dos Suinocultores, demonstrando a união que a classe sempre teve ao longo da história, sem nunca desistir ou esquecer as raízes de como tudo começou. “A contribuição de cada um ao longo destes 40 anos foi fundamental para que a ASSUIMAR se mantivesse firme até hoje, também precisamos deixar nosso agradecimento aos suinocultores que hoje integram a ASSUICAR de Camargo e a ASSUIVIMA de Vila Maria, que durante muitos anos estiveram juntos conosco e principalmente às 70 famílias associadas que ainda fazem parte da ASSUIMAR honrando a história da nossa entidade”- finaliza Naraci.



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